Será que você realmente sabe o que é foco?

Há pouco mais de um ano, venho, junto com meus parceiros de jornada, praticando metodologias ágeis na empresa que estou atualmente. Toda vez que termina um ciclo de execução e paramos para refletir sobre o que podemos melhorar, a palavra FOCO aparece.

Foi de tanto aparecer esta palavra em nossos momentos, que resolvi entrar mais no assunto e buscar uma autoridade no tema.

Neste momento, reencontrei Daniel Goleman, autor do livro Foco, e pude validar meu conhecimento acerca desta palavra.

A seguir, vou te mostrar o pequeno universo que mora nela.

Foco, que vamos começar…

Você está feliz?

Quero pedir a você que pare e pense por uns 10 segundos sobre a pergunta que te fiz acima.

Pensou?

Ao longo destes anos, pergunto às pessoas nos corredores da empresa a mesma coisa e o resultado é muito engraçado. Algumas pensam por segundos, até responder um “sim” tímido, opaco. Outras simplesmente travam, entram em crash.

Mas afinal, o que isto tem a ver com foco?

Tem tudo a ver meu caro, porque foco exige algo chamado Metaconsciência.

Se você não estiver pleno de si, você estará em modo de sobrevivência, e quando estamos neste modo é “farinha pouca meu pirão primeiro”. Não pensamos no próximo, não pensamos no coletivo, não pensamos com o cérebro racional.

Até é foco, mas é um foco primitivo e animal, guiado pelo seu cérebro reptiliano.

Precisamos do foco negativo para sobreviver, mas de um foco positivo para prosperar.

Richard Boyatzis, psicólogo da Escola de Administração
Weatherhead na Universidade Case Western.

Trazendo para o ambiente corporativo, que é onde minha jornada pelo foco se intensificou, não é difícil encontrar “zumbis no modo de sobrevivência”.

Neste ambiente, em grande parte do tempo, vemos o foco no “eu” (egoísmo).

É neste cenário que as merdas acontecem, que os resultados são pífios e que o pensamento fora da caixa, simplesmente não existe.

Como buscar resultados coletivos se o foco está no EU?

O antídoto para a divagação da mente é a metaconsciência, a atenção à própria atenção, como na capacidade de perceber que você não está percebendo o que deveria estar percebendo e corrigir o foco.

(Foco — Coleman, 2013) — mais parece o Patropí falando, mas é a pura verdade.

Quando você não é consciente , você é ignorante…

No modo zumbi, como é de se esperar, você só quer saber de comer cérebros alheios e foda-se o mundo. Esta falta de consciência de sua parte, se deve a inúmeros fatos. Com a ausência da metaconsciência, que você pode e deve desenvolver, você sai cagando a porra toda. Dentre as principais cagadas que você comete posso destacar algumas que se aplica a vida fora e dentro da empresa:

Desfilar com uma carranca pela empresa — tem gente que veste um semblante pesado 24 horas por dia. Espero que você não seja destes, pois onde seu lindo rostinho passa, ele deixa uma carga tóxica, quer queira você ou não.

Não cumprimentar — parece bobo, mas tem gente que passa por você no corredor e você se sente o Sam Wheat (personagem de Patrick Swayze no filme Ghost), você se sente um verdadeiro fantasma. Aliar o cumprimento com um belo sorriso no rosto pode ser um exercício interessante. Que tal praticar?

p.s.: e no elevador? Quando só tem você e a pessoa que entrou? Pqp! Ela entra, aperta o botão e nem sequer olha na sua cara.

Só voce falar — essa é foda! Quantas vezes você pede a palavra e a outro simplesmente pega a Via Expressa e tagarela sem te dar a oportunidade de se expressar? Muitas vezes, ao respeitar a pessoa que está falando, perde até o sentido de fazer o comentário que você iria inserir no debate.

Não bater em portas fechadas — tem gente que vê a porta fechada e entra que nem um esquadrão tático da SWAT na porcaria do ambiente. Se está rolando uma reunião, todo mundo para e depois tem de retomar a imersão. O bater na porta de uma reunião que está acontecendo já é uma merda, invadi-la então é pior ainda. Se você faz isso, pare!

Fazer barulho — o ar é público e é por ele que o som se propaga. Tem gente que fala em uma tom de voz tão alto, que parece que acabou de sair da Rave. Se dividimos o mesmo espaço e você não tem noção do ruido que causa, instale sensores no ambiente. Hoje, com tecnologia se mede o que você quiser.

Se você quiser ser mais ogro, toque uma corneta mais alta que todo o barulho que está sendo produzido como forma de protesto.

Cultivar o ressentimento — inevitavelmente , toda relação diária e próxima, tem atritos. Os atritos são pontos de colisão de ideias opostas. Estas colisões deveriam ser encaradas com naturalidade pelas partes, mas não é o que acontece. Por causa de uma comunicação ineficiente e falta de confiança, as pessoas não falam o que as aborrecem cara a cara e o resultado é uma conta negativa de sentimento que cresce com juros absurdos.

Não olhar nos olhos — Estamos carecas de escutar que “os olhos são as janelas da alma”, e como toda janela, tem algo a mostrar. Acontece que hoje em dia, uma conversa olho no olho é cada vez mais difícil. Ora estamos no modo “corcunda de Notredame” olhando para o celular, atentos ao que acontece na volatilidade das redes sociais, ora estamos fechando nossas janelas, porque o assunto realmente não nos interessa. O fato aqui é que estamos acabando com os relacionamentos que temos com nossos pares. Olhar é conexão, confiança e empatia. Olhar e FOCO andam de mãozinhas dadas.

Interromper as pessoas — Você está falando e vem aquele sujeito implodindo sua argumentação. Sem pedir licença, sem pedir a palavra e sem pedir desculpas. Isso é interrupção.

Você está em reunião e alguém entra na sala procurando a tampa da caneta verde limão. Isso é interrupção.

Você está imerso em uma atividade que demanda raciocínio e tempo, o cara chega no seu ombro, dá uma catucada e desvia sua atenção. Isso é interrupção.

Interrupção causa câncer. Embora a pessoa interrompida possa ter te tratado com toda a educação, ela pode estar te xingando por dentro.

Não interrompa ninguém e lute para não ser interrompido.

Quando você é ignorante, você interrompe…

Quando você interrompe, você causa infelicidade nas outras pessoas…

Quando você deixa os outros tristes, você não tem nenhuma empatia…

E é a falta de empatia que, paradoxalmente, tira nosso foco do EU para com os OUTROS e acaba em sentimentos mais do que negativos.

Você está evoluindo como queria?

Evolução positiva. Duas palavras, que juntas, possuem um significado único em nossas vidas.

Através desta evolução positiva validamos nossa jornada até o momento.

Criações, resultados, sonhos realizados e tudo que fizemos até momento é colocado na balança da verdade.

Agora te pergunto — Como você avalia que sua evolução está positiva?

Em uma sociedade que sofre de ansiedade, é de se esperar que este sentimento pleno nunca brote em seu peito.

Para evitar isso você precisa fazer uma auto-gestão eficiente.

O que seria esta auto-gestão?

E a capacidade que você tem de planejar suas ações, levando em consideração sua capacidade, habilidades e atitudes. Com um bom planejamento e uma boa execução os resultados vão aparecer. Tenha paciência.

Exercite. Selecione as coisas em que deverá dedicar a sua atenção naquele momento. Priorize. Um bom começo é adotar metodologias ágeis no seu dia a dia.

Entendendo o propósito de se auto-gerir, você irá ajustar sua bússola do foco e você começará a cumprir as metas que te levarão ao próximo nível.

Como melhorar o seu foco?

Agora que você está começando a despertar sua metaconsciência, é hora de buscar ferramentas e técnicas que irão te ajudar a afiar o FOCO. Existem inúmeras, porém as que estou listando abaixo utilizo muito e posso recomendar sem medo.

Vamos a elas.:

Capa do Livro Scrum de Jeff Sutherland Co-Criador do SCRUM

SCRUM — Conhecido como a arte de fazer o dobro na metade do tempo. Consiste em um conjunto de papeis e cerimônias, desenhados para fazer uma equipe chegar a alta performance.

É genuinamente feito para equipes, porém, eu utilizo para minha vida e projetos pessoais solos também. Afinal, como você quer fazer o dobro na metade do tempo se você sequer sabe quanto tempo você investe para fazer o que está fazendo no momento?

Primeiro descubra o quanto você produz atualmente, dê um valor a isso e depois busque melhorar estes indicadores.

Leitura indicada.: Scrum — A arte de fazer o dobro na metade do tempo.

POMODORO TECHNIQUE

25 minutos é a opção mais escolhida para tempo de um pomodoro.

Uma técnica criada nos anos 90 por Francesco Cirillo. Consiste em você determinar um tempo fixo para que se dedique a uma só tarefa. Evitando desvios e interrupções, seu foco se ajustará depois de um tempo.

É muito difícil no começo, mas depois que você pega o flow você verá o quão produtivo você ficará.

Ferramentas que utilizo.: Toggl com o plugin do próprio para o Chrome.

MINDFULLNESS — Nascida no BUDISMO e estudada atualmente pela “Ciência Anti-Stress”, consite em um conjunto de técnicas de meditação que visa o despertar de sua auto-consciência. O Google, por exemplo, desenhou um programa chamado SIY que segue o modelo de inteligência emocional proposto por Daniel Goleman, o mesmo autor de FOCO. Este tipo de programa tem como objetivo aumentar a produtividade e melhorar o clima organizacional.

Ferramenta que utilizo.: Headspace para Iphone.

Se você chegou até essa linha, parabéns pelo foco e pela dedicação em busca da melhoria contínua. Espero que eu tenha contribuído para ampliar sua visão sobre o FOCO, assim como o livro de Daniel Goleman fez por mim. Como disse, o assunto é bem amplo e aqui tentei dar uma pincelada nele.

Mudando o FOCO para você, me conte aí, você está feliz?

Participe da discussão

1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *